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Amarena - Um romance em Londres Cap. 3

18 Agosto 2018
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Um breve silencio após discar o último número. Ansiedade. O primeiro toque... meu coração dispara. O segundo toque... agonia. -"Meu Deus! Atende este telefone"- disse eu já entregue ao desespero. Três , quatro, cinco toques.... eu já estava a ponto de infartar.
De repente, como a bonança após a tempestade , ouço ao telefone:
-"Alô?"


O primeiro contato

Fiquei mudo. Eu queria tanto e simplesmente travei.
- Alô? Quem é? – insistia a voz do outro lado da linha.
-Eu....eu.... eu....- respondi engasgando.
-Eu eu eu? – ela respondeu...dava pra sentir o sorriso na sua voz, achando realmente engraçado a minha atitude insólita.
Respirei por dois segundos...tempo suficiente para relembrar todos os passos e acontecimentos desde minha saída do hotel..a passagem pelo pub, o suco de Amarena e o jeito que ela olhava pra mim.
- Sim..Eu,eu,eu...-respondi ao gracejo. - Nos vimos no pub há algumas horas. Eu estava só e reparei em você...deixou cair o lenço...seu número de telefone – balbuciei trêmulo.
- O cara que vai a um pub e pede suco de amarena? respondeu ela com uma gargalhada contida. – Por que demorou tanto pra me ligar?

Ela sabia que era eu! A minha sensação de que estava sendo correspondido através da felicidade transmitida pela voz dela era muito forte. Eu estava transtornado, transbordando uma mistura de nervosismo, angústia, ansiedade, felicidade e qualquer outro sentimento possível. Seria o que chamam de paixão? Mas assim, do nada, numa simples troca de olhares?

- Eu...eu estava tentando encontrar um telefone.- disse tentando me controlar. Me lembrei da famigerada telefonista infernal... isso de certa forma me acalmou. – Você estava com um rapaz...queria muito ter falado contigo naquele momento, mas você estava acompanhada.- continuei.
- Estou só agora.- respondeu ela. – Ele me trouxe para o hotel e depois saiu... como faz todas as noites.

Senti a mudança em sua voz. A tristeza que eu havia visto em seu olhar transpassava agora pela sonoridade de suas palavras. Novamente me cobriu um sentimento de que ela precisava ser salva,e eu seria seu herói.

-Onde você está?-Perguntei.
- Eu estou no Sky Gray Hotel.- respondeu ela.
- Eu gostaria muito de vê-la... Posso ir até você?-Disse sem pensar. Nem sequer sabia onde ficava o tal hotel Sky Gray, nem se o galã vilão estaria lá quando eu chegasse.
- Melhor não.- ela respondeu. – Já está ficando tarde, e nem sei quem você é...talvez seja um desses malucos tarados que perseguem mulheres – disse ela em tom sarcástico.
- Entendo. –respondi. – Mas podíamos apenas tomar um café no hall do seu hotel...você está sozinha mesmo... só queria ver você de perto ....conversar um pouco... conhecê-la talvez.
- Hummm.- murmurou ela. - Um café? Conversar? Isso pode ser interessante. Estou pensando...

Um silêncio de dois segundos parecia uma eternidade. E se ela dissesse não? Insegurança do inferno, precisava me controlar mais...uma súbita fúria contida e uma vontade de manda-la as favas...parecia estar fazendo charme em demasia...havia me deixado até o número do telefone e agora ficava de gracejo se fazendo de indecisa....Ahhhhhhhhh!
- Está bem. Estarei te esperando no hall do hotel. Sabe onde fica?
-Eu te encontro! Estou indo! Não saia daí! – disse atônito, colocando o fone no gancho.

Saí rapidamente da cabine telefônica, apressado como se fosse perder a vida. Meu momento furioso passou mais depressa do que chegou e meu coração entrou em colapso de felicidade.

Olhei para o céu noturno, algumas nuvens passando e cobrindo a lua, dava pra ver apenas algumas estrelas perdidas...um mendigo passou com um carrinho cheio de quinquilharias , entre elas um pequeno rádio de pilhas pendurado e amarrado a uma lata grande, dava pra ouvir uma musica, acho que era o Adam Levine, já tinha ouvido em algum filme.¹

by Adam Levine (toque para ouvir)
 

Olhei para o mendigo com um ar de plenitude e certa infantilidade tal qual criança ao ganhar um brinquedo novo.
- Vou me encontrar com ela! – gritei para mendigo.
- Chegue mais perto e eu te mato , seu maluco desgraçado!- respondeu o mendigo com uma voz rouca de quem havia fumado por anos a fio.
Eu sorri de orelha a orelha e me coloquei em disparada. Queria vê-la o quanto antes.
Desci correndo a rua dava pra ouvir ainda o mendigo gritando – Maluco!
Logo avistei um Black Cab, assoviei alto e gritei:
-Táxi!


Continua...


 ¹ Mesmo se nada der certo - Assista no Youtube.




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André Faria

André Faria é administrador de empresas, sócio do Diário Noticias, presta serviços de Gestão e Consultoria Comercial a empresas do segmento de alimentos, músico  apaixonado por rock'n'roll, pratica esportes radicais nas horas vagas e não consegue de maneira alguma fazer um regime , pois odeia brócolis e vegetais.

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