O que esperar de Palmeiras x Santos, o clássico que opõe pragmatismo e agressividade

18 Maio 2019
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Verdão de Felipão, de estratégia mais cirúrgica, encara segundo confronto seguido de líderes do Brasileirão. Intenso e insistente, time de Jorge Sampaoli precisa furar melhor defesa do país

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Santos e Palmeiras fazem campanhas semelhantes no Campeonato Brasileiro. Somam dez pontos na tabela, possuem os melhores ataques e as melhores defesas da competição. Quem vê apenas os números frios nem imagina que os estilos de jogo não poderiam ser mais diferentes. O Santos martela seus adversários, o Palmeiras é cirúrgico. O Peixe joga com linha de defesa alta, o Verdão se mantém postado atrás. O clássico será no próximo sábado, às 19h (de Brasília), no Pacaembu, pela 5ª rodada do Brasileiro. Mas, antes, vamos entender como funcionam as engrenagens defensiva e ofensiva dos rivais.

Defesas: Palmeiras intransponível, Santos "bom aluno"
A maior virtude do Palmeiras em 2019 reside no setor defensivo. Felipão ostenta a incrível marca de oito gols sofridos em 26 partidas na temporada, a melhor defesa do país. E pasme: seis desses gols foram durante o Campeonato Paulista. Em dez partidas somadas de Libertadores e Brasileirão, de maior nível de exigência, só dois gols sofridos. A defesa palmeirense só levou mais de um gol uma única vez - ainda assim, venceu: 3 a 2 no Ituano, pelo Paulistão.

Esse rendimento fora da curva da retaguarda está intimamente ligado à ideia de jogo típica de Felipão. Quem explica é Leonardo Miranda, do Blog Painel Tático, do GloboEsporte.com.

Gols sofridos pelo Palmeiras em 2019
Verdão tem média de 0,30 gol sofrido por jogo
66
11
11
Paulistão (16 jogos)
Libertadores (6 jogos)
Brasileirão (4 jogos)
0
2
4
6
8
Fonte: Futdados
- Existe um fator muito importante em todos os trabalhos do Scolari, inclusive o atual: são times extremamente estratégicos. O Palmeiras imprime grande intensidade nos primeiros 20 minutos de partida, atacando a mil. Volantes lançando direto para atacantes, poucos passes até chegar ao gol. A ideia é fazer logo o gol para recolher as linhas, chamar o adversário e explorar contra-ataques. Esse estilo é motivo de crítica, mas garante uma segurança muito grande ao time, que controla muito bem as partidas e sabe o momento de acelerar e dosar o ritmo.

O tão elogiado elenco palmeirense é muito bem aproveitado pelo comandante, que permite descanso aos principais atletas sem deixar cair o nível. A dupla de zaga mais provável para sábado é formada por Luan e Gustavo Gómez. O paraguaio fez 17 partidas no ano, maior marca do elenco entre zagueiros, com apenas 65% do total, ou seja, foi poupado em nove jogos. Luan ficou um mês lesionado, voltou em março e soma 12 jogos. Qualquer time rende melhor respeitando o tempo de recuperação de seus jogadores.

A defesa do Santos, hoje, passa muito mais segurança do que passava meses atrás. Goleadas dolorosas para Botafogo-SP (4 a 0) e Ituano (5 a 1) no Paulistão ensinaram a Jorge Sampaoli que o setor precisava de atenção especial, antes de liberar mais da metade do time para atacar.

A estratégia é mais simples de explicar do que de executar: proposição de jogo, zagueiros apoiando além da linha de meio-campo, laterais como alas construtores e superioridade numérica no momento ofensivo. Interessante, mas leva tempo para encaixar. Com o passar dos jogos, os "alunos" do argentino assimilaram o conteúdo e atualmente o time não fica tão exposto. Leonardo Miranda reconhece que o estilo difere muito daquele praticado por Felipão, mas enxerga um ponto comum.

- Os dois estilos têm o mesmo objetivo: não deixar o adversário jogar. O Santos se expõe muito, mas há sempre uma intensidade muito grande nos momentos após a perda da bola, com os jogadores mais próximos atuando para "matar" o mais rápido possível a jogada. O Palmeiras também faz isso, mas prefere recolher as linhas e pressionar só a partir do meio-campo.

O esquema tático com três zagueiros deve ser novamente utilizado no dérbi por Sampaoli. Lucas Veríssimo, Felipe Aguilar e Gustavo Henrique devem formar o trio titular, num 3-4-3 com dois alas. Sendo assim, Veríssimo e Gustavo devem subir pelos flancos até a linha de meio para sair jogando com Victor Ferraz e Jorge. Na hora de defender, no entanto, devem recompor rapidamente.

Ataques: Palmeiras cirúrgico, Santos "metralhadora"
Se o time leva poucos gols, não há motivo para se afobar no ataque. A filosofia de Scolari é a de pressionar nos primeiros minutos para marcar gols e depois explorar contragolpes. Vem dando certo. O Alviverde anotou 13 gols nos 20 minutos iniciais das partidas (32,5%) e outros cinco em contra-ataques (12,5%). Além dessa estratégia, responsável por quase metade dos 40 gols do time em 2019, a efetividade salta aos olhos. A média do Palmeiras em todos os torneios é de um gol a cada 7,87 finalizações.

Palmeiras e Santos: gols, finalizações e efetividade

Finalizações Média fin./jogo Gols marcados Finalizações/gol
Palmeiras (26 jogos) 315 12,1 40 7,87
Santos (29 jogos) 484 16,7 48 10,1

- Se o Santos tem volume, o Palmeiras é cirúrgico. Chega na área e raramente finaliza fora do gol. É um time igualmente objetivo, mas dosa mais as idas ao ataque. E como prefere fazer o gol cedo e jogar sempre no contra-ataque, cria menos chances por jogo, mas as chances criadas em contra-ataque, na teoria, são mais efetivas que as chances criadas com o adversário se defendendo porque há mais espaço e menos jogadores - explica o blogueiro Léo Miranda.

Estratégia exposta, hora de falar dos jogadores. Gustavo Scarpa, depois de ver 2018 se arrastar no imbróglio com o Fluminense, arranjou sequência entre os titulares e correspondeu. É o artilheiro da equipe na temporada, com sete gols marcados, e ainda distribuiu três assistências. Somente Dudu colocou mais companheiros na boa para balançar as redes: seis vezes. Scarpa e Dudu, aliás, são as armas letais do time em bolas paradas e jogadas aéreas. E vieram do alto 19 gols do Palmeiras (47,5%) no ano. A opção de Felipão por centroavantes altos e o bom aproveitamento da mobilização de jogadores dentro da área adversária vão se provando eficazes.

O Santos, por sua vez, pode ser comparado a uma metralhadora. A primeira posição do ranking de finalizações é do Santos em três competições: Paulistão, Brasileirão e Copa do Brasil. Foram 484 arremates em 29 jogos, uma média de 16,7 por partida, considerada alta. A agressividade ofensiva, que, como vimos acima, deixa espaços na defesa, possui a contrapartida de acuar o adversário, que passa a ser pressionado e bombardeado com finalizações enquanto não dispõe da bola. Léo Miranda esclarece que a mentalidade desenvolvida por Sampaoli lembra a de outro grande treinador: Pep Guardiola.

- É um estilo muito direto. Sampaoli gosta de um time muito agressivo, que sempre busque o gol. Isso pode ser visto no posicionamento dos pontas, sempre abertos, perto da linha de fundo, prontos para receber e partir para cima. O time se organiza para ser objetivo. Laterais por dentro, zagueiros avançados. Como se todo mundo se posicionasse para receber a bola e passar para um lugar determinado. Quase uma teia de aranha. O nome disso é Jogo de Posição, que é aquela filosofia que tanto associamos a Guardiola, etc.

Médias de finalização do Santos em todos os campeonatos de 2019
15,615,6
17,317,3
17,717,7
20,520,5
Paulistão (16 jogos)
Brasileirão (4 jogos)
Copa do Brasil (7 jogos)
Sul-Americana (2 jogos)
0
5
10
15
20
Jean Mota assumiu o papel de arco e flecha do time na temporada: é o goleador, com nove gols, e também principal "garçom", autor de sete assistências. Praticamente todos os atacantes são muito velozes e incansáveis na marcação à saída de bola adversária. O maior exemplo é Derlis González, um dos preferidos do técnico argentino para exercer a função de falso nove. Não há como esquecer as participações de Diego Pituca e Carlos Sánchez, os pulmões do meio-campo. O uruguaio, inclusive, já participou de dez gols em 2019, oito de sua autoria.

O Santos não dispõe de um centroavante de área em seu elenco. Sampaoli deseja Ricardo Oliveira, do Atlético-MG, mas a negociação mais próxima parece ser com Uribe, do Flamengo. Isso não impede, no entanto, que o time marque muitos gols ou se utilize do expediente de bolas aéreas. Em lances pelo alto, o rodízio de finalizadores compensa a falta de um camisa 9: Luiz Felipe, Gustavo Henrique, Rodrygo, Derlis e Jean Mota já marcaram, juntos, oito gols de cabeça.

Diante do Atlético-MG, na rodada passada, o Palmeiras venceu o confronto entre líder e vice: 2 a 0 fora de casa. Agora, no clássico, é bem possível que os estilos de jogo se encaixem perfeitamente. Se isso ocorrer, quem prevalece: a intensidade do ataque do Santos ou as investidas pontuais (e mortais) do Palmeiras? Saberemos logo mais.

*A equipe do Espião Estatístico é formada por: Caio Tatesawa, Guilherme Maniaudet, Guilherme Marçal, Leandro Silva, Roberto Maleson e Valmir Storti.

Fonte:(Globo EsporteA)

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Eduardo Spider

Eduardo Spider é viciado em Netflix e jogos multi-usuários. Ainda ganha mesada do pai e detesta fazer exercícios. Nada como um grande balde de pipoca e cinema. Pretende se formar em Direito...ou esquerdo. Qualquer um serve.

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