Mundo

O pontificado de Francisco em xeque

21 Fevereiro 2019
Autor :  

Conferência inédita sobre abusos de religiosos no Vaticano testa credibilidade do papa para coibir cultura de abusos sexuais na Igreja.

E
Escândalos de abusos sexuais na Igreja Católica vazam num ritmo tão galopante que são catalogados por historiadores como a crise mais grave enfrentada pela instituição desde a Reforma Protestante, há cinco séculos. Sob pressão de sobreviventes e convocados pelo Papa Francisco, 190 líderes religiosos estão reunidos por quatro dias no Vaticano, numa inédita conferência para tentar encontrar formas de proteger crianças e jovens coibir a cultura de abusos que corrói a Igreja.

A dúvida é se esta reunião de cúpula produzirá avanços concretos e o ponto de virada que seus organizadores esperam. Incluem-se aí a tolerância zero para estes crimes e a punição de seus autores.

A Igreja vem lidando com denúncias de todo tipo -- de padres pedófilos e estupradores de freiras a religiosos que burlam o celibato e têm filhos. Chegam em forma de avalanches.

É certo que o pontificado de Francisco, que já avança pelo sexto ano, tentou não repetir a trajetória de antecessores, que mantinham a sujeira escondida e longe do rebanho. Por esta razão, a conferência que se realiza em Roma é também um teste à sua credibilidade.

Nenhum Papa ouviu tantas vítimas de abusos de religiosos como o atual. Na chegada à Santa Sé, nomeou uma comissão para tratar de abusos, integrada também por sobreviventes. Porém, sem constatar progressos, eles debandaram.

Francisco enfrenta resistências ostensivas dentro da Cúria por parte de ultraconservadores, que insistem em vincular a pedofilia à homossexualidade. Por outro lado, é criticado por não ser suficientemente firme. O Papa ficou, por exemplo, ao lado de um bispo chileno acusado de encobrir um escândalo de abusos sexuais. Mas, após uma onda de protestos, capitulou, pedindo desculpas e aceitando a renúncia de diversos bispos.

Na semana passada, expulsou do sacerdócio o cardeal Theodore McCarrick, ex-arcebispo de Washington, o mais alto oficial da Igreja a ser destituído em mais de cem anos. O processo foi longo e tortuoso. Mas estava dado o recado: ninguém é intocável, e, se houver transparência, o ciclo da impunidade de religiosos pedófilos pode estar perto do fim.

Fonte:(G1)

 

665 Views
Eduardo Spider

Eduardo Spider é viciado em Netflix e jogos multi-usuários. Ainda ganha mesada do pai e detesta fazer exercícios. Nada como um grande balde de pipoca e cinema. Pretende se formar em Direito...ou esquerdo. Qualquer um serve.

E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

O Diário Notícias é um jornal dinâmico e interativo.Nossos ideais são pautados na seriedade e comprometimento. Nossa missão é informar e levar conhecimento a toda a população interessada, independente de opção política, religiosa ou social . Diário Notícias : Compromisso com a notícia!